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Suicídio entre crianças e adolescentes: o que a literatura nos mostra?

Por: Pedro Rocha e Antônio Henrique Roberti dos Santos.

 

Suicídio é definido pelo ato intencional de tirar a própria vida, oriundo de sentimentos negativos e fatos que somente quem o acomete sabe. Infelizmente, alguns estudos relatam que a cada 40 segundos, uma pessoa no mundo suicida. Além disso, há uma forte ligação entre a depressão e o suicídio, sendo o primeiro a causa e o outro a consequência. Devido esse fato, o mês de setembro é dedicado à pessoas com algum tipo de transtorno depressivo, conhecido no Brasil como “setembro amarelo”. Porém, o que vemos atualmente é um elevado número de pessoas com esse perfil clínico, principalmente pelo cenário social atual, sendo um ambiente competitivo, que requer ao ser humano maiores horas de trabalho e menores de descanso, resultando em desgaste físico e emocional, sendo observado em adultos. Em contrapartida, no Brasil, o suicídio é a segunda principal causa de morte entre crianças e adolescentes. Sim, crianças e adolescentes! Assustador!

 

Um estudo publicado pelo Brazilian Journal of Psychiatry, em 2019, buscou avaliar na literatura, de forma sistemática, a quantidade de estudos sobre esse assunto. Para tal pesquisa, foram avaliados estudos entre crianças e adolescentes, na faixa etária de 0 à 19 anos, no Brasil. O resultado encontrado foi o aumento de estudos nos últimos anos sobre esse assunto dentro dessa população-alvo, porém ainda apresenta grandes lacunas que ainda devem ser pesquisadas, principalmente pela baixa quantia de estudos intervencionistas diante esse tema e baixa notificação no sistema de saúde das tentativas de auto-extermínio.

 

 

De acordo com que a idade aumenta na criança e adolescente, as tentativas de suicídio tornam-se mais frequentes. As principais causas que resultam nessa consequência são: discussão entre os pais ou com os pais, problemas escolares – principalmente o bullying e notas ruins -, problemas afetivos – na faixa etária da puberdade – e perda de entes queridos. Vale ressaltar que, se não é valorizada a saúde mental da criança e do adolescente, esses tornarão adultos doentes, aumentando as complicações desencadeadas por doenças psiquiátricas. Uma opinião, não ligada à estudos da literatura, é que hoje encontramos muitos adultos depressivos porque um dia a sociedade (até os próprios pais desses) considerou aquilo “fraqueza” ou um momento que iria melhorar. Se não tratamentos a doença na sua fase inicial, a maior possibilidade é que ela cronifique, trazendo sintomas indesejados no futuro.

Atualmente, falar de suicído é delicado devido o grande espectro de ideações suicidas existentes. Porém, isso não o torna menos importante, visto que há forma de prevenção desse ato, principalmente no foco da promoção de saúde mental. A imagem de fraqueza que é rotulada na depressão deve ser desconstruída, seja através de políticas públicas que informem a população sobre a depressão, ansiedade, transtorno obscessivo-compulsivo, entre outras doenças psiquiátricas. Além disso, deve ter uma atenção na saúde mental da criança e do adolescente, visto que ambos também estão expostos a fatores ambientes que podem ocasionar algum transtorno mental, resultando em suicídio.

 

Para que não tenhamos no futuro uma população doente, é necessário que começamos, desde agora, preocupar com a promoção de saúde nas crianças.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1) Piccin J, Manfro PH, Caldieraro MA, Kieling C. The research output on child and adolescent suicide in Brazil: a systematic review of the literature. Braz J Psychiatry.0;0(0):1-5
2) http://www.crianca.mppr.mp.br/pagina-1498.html
3) SOUSA, Girliani Silva de et al . Revisão de literatura sobre suicídio na infância. Ciênc. saúde coletiva, Rio de Janeiro , v. 22, n. 9, p. 3099-3110, Sept. 2017

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