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Animais de estimação: os grandes benefícios na saúde mental

Por: Pedro Rocha e Antônio H. Roberti.

 

 

Com certeza você já teve ou tem um animal de estimação, seja na infância ou na vida adulta, sendo companheiro, amigo e um alento pra alma. O vínculo que o ser humano adquiriu nos últimos anos com esse “pet” aumentou significativamente, pois quem o tem sabe os benefícios que traz para o dia-a-dia, principalmente em momentos de sofrimentos, tristeza ou até mesmo a depressão. Além do ambiente residencial, alguns cães são utilizados em hospitais, principalmente em centros de tratamento do câncer, para amenizar o sofrimento do paciente, transmitindo uma alegria contagiante, com maior efetividade no setor da pediatria. Porém, essa relação pode ser ainda mais profunda do que imaginamos, sendo objeto de pesquisa em diversos estudos.

 

Um estudo prospectivo duplo-cego realizado na cidade de Porto – Portugal entre 2015 à 2017, publicado pelo Journal of Psychiatric Research, buscou avaliar os benefícios que a adoção de um animal de estimação trazia à pacientes com Transtorno Depressivo Maior (TDM). Para tal, foram divididos dois grupos: um composto por integrantes que adotaram um animal (cachorro ou gato) e outro composto por quem não quis adotar, sendo que ambos se assemelhavam na conduta farmacológica. Os dois grupos foram avaliados durante 12 semanas, através de testes clínicos e questionários sociodemográficos. Os resultados desse estudo foram surpreendentes!

 

Diante a análise de dados, o estudo citado acima evidenciou que o contato do paciente com TDM com um animal de estimação ajudou muito no prognóstico desse, com melhora do quadro clínico substancial em apenas 12 semanas, quando comparados aos que não quiseram adotar. Foi notado que essa intervenção aprimorava os efeitos da farmacoterapia, trazendo à esse paciente um melhor bem-estar e um laço afetivo com o animal, o qual trazia uma série de benefícios na saúde mental do indivíduo. Além disso, melhorava os sintomas ocasionados pela doença, assim como a adinamia (prostração) e anedonia (perda da capacidade de sentir prazer).
Não é a primeira vez que se nota os benefícios de um animal de estimação em pacientes com transtornos psiquiátricos ou até mesmo em deficiências intelectuais, assim como o Transtorno do Espectro Autista. Algumas Associações de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) do Brasil já empregam a equoterapia como método de estímulo motor e cognitivo aos seus alunos e assistidos, com ótimo resultado e eficácia.

 

Diante disso, concluímos que devemos encorajar pacientes com transtornos psiquiátricos à adotarem um animal de estimação, mediante os benefícios que esse traz, junto com a terapêutica farmacológica. Além disso, é imperativo o reconhecimento da importância dos animais na sociedade, principalmente na defesa com leis públicas contra maus-tratos. Por fim, os centros de tratamentos de transtornos psiquiátricos, oncológicos adultos e pediátricos, entre outros locais que atuam no tratamento de doenças complexas, devem ser incentivados a disporem desse método terapêutico aos seus pacientes.

 

Concluindo, ter um animal de estimação é uma companhia que todos nós podemos ter. Hoje existem diversas campanhas de adoção, sendo disponíveis a todos os públicos. Além dos benefícios citados acima, esse “pet” traz a nós um amor incondicional, muitas vezes sendo um sentimento até então não experienciados.