Saúde mental

Estímulo cognitivo: uma prevenção e retardo da demência

Por: Pedro Rocha, Antônio Henrique Roberti dos Santos e Humberto Batista.

 

 

Um dos principais assuntos discutidos na atualidade é o processo do envelhecimento, consequência do grande aumento da expectativa de vida nos últimos 50 anos (cerca de 40%). A tendência é que até 2050 cerca de 14,2% da população será idosa. Em contrapartida, essa evolução desencadeia a exposição de doenças crônicas. Uma delas é a demência, sendo que, apesar do envelhecimento ser um processo natural, ela não é. Dentre as mais comuns, há a Doença de Alzheimer (DA). Essa é uma neuropatologia degenerativa progressiva que resulta em déficit de funções cognitivas e funcionais, comprometendo as atividades de vida diária. Sua fisiopatologia está baseada no acúmulo de placas da proteína beta-amilóide extraneuronais e emaranhados neurofibrilares intraneurais constituídos pela proteína tau localizada comumente no lobo temporal. Esse processo resulta em atividade inflamatória neurotóxica, sendo deletério ao cérebro.

 

 

A Doença de Alzheimer é marcada pelo déficit cognitivo do idoso afetado, porém, será que há relação entre o déficit de cognição e a capacidade funcional? E a escolaridade, será que é um fator influenciador? Um estudo investigativo descritivo-correlacional de carácter quantitativo e de corte transversal, realizado no Brasil e no Paraguai simultaneamente em 2013, teve como objetivo avaliar esse questionamento. Esse efetuou uma pesquisa que correlacionava a cognição e a capacidade funcional de idosos asilados entre 60 até 102 anos de idade, com demência diagnosticada, mas sem distúrbios de consciência, excluindo pacientes na fase demencial avançada. Todo esse procedimento foi realizado através de questionários como o Miniexame do Estado Mental e outro sobre as Atividades Funcionais, sendo respondidos pelo próprio paciente e por cuidadores.

 

 

Os resultados obtidos mostraram que havia uma relação direta entre a capacidade cognitiva e funcional no paciente idoso com demência, ou seja, quanto maior a capacidade cognitiva, menor era a incapacidade funcional na demência, e vice-versa. Além disso, através da segregação da formação escolar dos pacientes, observaram que os que possuíam históricos acadêmicos mais amplos também possuíam maior preservação, tanto da capacidade cognitiva quanto da funcional. Em contrapartida, os analfabetos (cerca de 38% do total de pesquisados) eram mais acometidos por déficits da demência.

 

 

Por fim, conclui-se que a escolaridade é fator protetor para déficits cognitivos e, em consequência, também resulta em menor comprometimento da capacidade funcional. Isso mostra que a prevenção da demência começa na fase infantil e adulta, incentivando a população e implementando políticas públicas a favor da educação. Vale ressaltar também que uma população mais educada resulta em prevenções e diagnósticos precoces de diversas doenças. Sendo isso realizado, há um contraste de desenvolvimento social no país.

 

 

 

COMENTÁRIO DO ARTIGO : Lima MMM, Cader SA. Caracterização e correlação do estado mental e da capacidade funcional de idosos asilados com mal de Alzheimer no Brasil e Paraguai. Revista Brasileira de Neurologia e Psiquiatria. 2018 Maio/Ago;22(2):110-123