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Aneurismas nas coronárias: conheça a doença de kawasaki

Por: Pedro Rocha e Antônio Henrique Roberti dos Santos.

 

Você está em mais um dia de plantão na residência médica, completando 5 meses de formado, quando chega ao seu atendimento um rapaz jovem, com apenas 18 anos de idade, com quadro de precordialgia. Devido a idade e características físicas do paciente, você fica na dúvida se esse rapaz está com quadro de infarto agudo do miocárdio. Ao questionar o paciente sobre doenças prévias, ele pediu para você ver um exame que estava com ele, uma angiografia das coronárias realizada há 03 anos antes do atendimento atual. Nesse momento você se depara com a imagem de aneurismas múltiplos das artérias coronárias, evidenciados na imagem abaixo. Diante disso, o seu preceptor questiona qual doença pediátrica está intimamente ligada ao perfil e quadro do paciente. Você saberia responder? Se não sabe, você vai aprender agora, aqui no TUDO DE MEDICINA!

 

 

Há pouco tempo, o The New England Journal of Medicine publicou o caso clínico acima e o questionamento que realizamos à vocês. As alternativas de respostas eram: Doença de Kawasaki (DK), cardiopatia reumática, Síndrome de Marfan, hipercolesterolemia familiar e Linfoma de Hodgkin. Dentre essas opções, você saberia escolher qual é a mais provável? Vamos te explicar!

 

Existe uma vasculite de artérias de tamanho médio que atinge as artérias coronárias principalmente em lactentes e crianças entre 1 a 8 anos de idade, porém, em muitos pacientes passam despercebidas e somente são diagnosticadas após uma complicação da doença. O nome dela é Doença de Kawasaki, a qual é resposta do questionamento acima. Geralmente ela se apresenta com febre prolongada não remitente, exantema de característica macular eritematoso, descamação da pele, linfadenopatia, edema das extremidades, conjuntivite não-exsudativa e inflamação das membranas mucosas. Porém, os sintomas mais comuns são febre e exantemas, principalmente em região perineal, o que confunde muitos clínicos em ser apenas uma doença exantemática febril (DEF). Por isso, uma complicação cardiovascular pode não ser observada, resultando em piores prognósticos com a evolução da doença. Em contrapartida, isso não deve ser generalizado a todos pacientes.

 

Um estudo transversal realizado no México em 2018 buscou avaliar a relação entre a dilatação das artérias coronárias em crianças com doença exantemática febril sem critérios para a Doença de Kawasaki. Com um número de 34 pesquisados, foi observado que uma importante porcentagem de pacientes pesquisados e diagnosticados com DEF apresentaram alterações na dimensão das artérias coronárias, mostrando que esse sinal não é patognomônico de DK, devendo ser cuidadosamente avaliado para evitar complicações e terapêuticas falhas.

 

Voltando ao assunto da Doença de Kawasaki, o diagnóstico é realizado através de critérios clínicos, associados ao eletrocardiograma e ecocardiograma, além de testes laboratoriais para descartar outras doenças. Os critérios clínicos são:

 Se a febre durou igual ou maior que 5 dias e ocorreram quatro dos seguintes critérios:

– Conjuntivite bilateral não-exsudativa;

– Alterações em lábios, língua e mucosa oral (inflamação, fissuras, secura e língua vermelho-morango);

– Alterações nas extremidades periféricas (edema, eritema e descamações);

– Exantema polimorfo no tronco;

– Linfadenopatia cervical (pelo menos um nódulo maior ou igual a 1,5 cm de diâmetro).

 

 

Por fim, o tratamento é baseado em doses altas de imunoglobulina IV (IgIV) e doses altas de ácido acetilsalicílico por via oral. Uma terapêutica precoce reduz as chances de complicações cardiovasculares no paciente, mostrando a importância de um diagnóstico também precoce.

 

 

CASO CLÍNICO: https://www.nejm.org/image-challenge?ci=20181213&startFrom=33
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
1) REYNA, Jesus et al . Coronary Artery Dilation in Children with Febrile Exanthematous Illness without Criteria for Kawasaki Disease. Arq. Bras. Cardiol., São Paulo, 2019 .
2) RODRIGUES, Marlene et al . Doença de Kawasaki e Complicações Cardiovasculares em Pediatria. Nascer e Crescer, Porto , v. 27, n. 1, p. 54-58, mar. 2018 .