Sala de emergência

Acidente vascular cerebral: uma doença súbita

Por: Pedro Rocha e Antônio Henrique Roberti dos Santos.

 

Fala, pessoal. No dia 29 de outubro é celebrado o Dia Mundial de Combate ao Acidente Vascular Cerebral (AVC). Mas você sabe quais os principais fatores de risco para essa doença e os principais sintomas?

 

O Acidente Vascular Cerebral (AVC), também nomeado como Acidente Vascular Encefálico (AVE), é uma doença que acomete os vasos sanguíneos do cérebro, podendo ocorrer em outras partes do Sistema Nervoso Central (SNC). Atualmente é a primeira causa de morte no nosso país, seguido das doenças coronarianas e neoplasias, mais comum no sexo masculino, elevando a frequência com o aumento da idade. Dentre os fatores de risco, temos os modificáveis e os não-modificáveis. Calma, você vai entender sobre eles agora! Os modificáveis são aqueles que há possibilidade de prevenção, seja através de medidas básicas ou tratamento de doenças que possam ocasionar o AVC. Já os não-modificáveis são aqueles que não há uma prevenção específica, apenas medidas para amenizar o quadro e exposição.

 

 

Fatores de risco modificáveis: dislipidemias, diabetes mellitus, tabagismo, sedentarismo, etilismo crônico, uso de drogas e anticoncepcionais orais.

 

Fatores de risco não-modificáveis: idade, sexo, raça (negros têm pior prognóstico nos AVCs) e hereditariedade.
O AVC é dividido em 2 tipos: isquêmico trombótico ou aterotrombótico, que ocasionará obstrução do vaso, levando ao processo de isquemia; hemorrágico, onde o vaso irá romper, com extravasamento de sangue para o parênquima cerebral. O mais comum é o AVC isquêmico, sendo responsável por aproximadamente 85% dos casos. Porém, há uma classificação segundo um estudo realizado nos EUA, conhecido como TOAST, dividindo em 5 grupos, sendo eles: AVC de grandes artérias (aterotrombótico), AVC de pequenas artérias (lacunar), AVC embólico (ligado a fibrilação atrial), AVC de causas raras e AVC de causas indeterminadas. Vale ressaltar que Acidente Isquêmico Transitório (AIT) não é a mesma coisa que o AVC. Você sabe como diferenciá-los? Os déficits no AIT são reversíveis em no máximo em 24 horas e não apresentam alterações no exame de imagem.

 

Os principais sintomas são: perda da força em braços e/ou pernas podendo comprometer um lado do corpo, sensação de “formigamento”, disartria, disfagia, assimetria da face, perda da visão unilateral ou bilateral e confusão mental. Além disso, vale ressaltar que os principais fatores que falam a favor de AVC hemorrágico são: cefaleia de instalação súbita, vômitos, rebaixamento do nível de consciência e pressão arterial muito elevada. Já as manifestações que falam a favor de AVC isquêmico são: idade acima de 55 anos, histórico prévio de AVCi ou AIT, déficit neurológico focal pela madrugada ou ao amanhecer e história de diabetes e/ou angina.

 

O diagnóstico é clínico associado à exames de imagem e laboratoriais. O exame de imagem de escolha na emergência é a tomografia computadorizada (TC), evidenciando na maioria dos casos hipodensidade no AVC isquêmico e hiperdensidade no AVC hemorrágico. [IMAGEM 01 E IMAGEM 02]
Quanto aos exames laboratoriais, os principais solicitados são: hemograma com plaquetograma, glicemia, colesterol total e frações, triglicérides, ureia, creatinina, ácido úrico, sódio, potássio, VHS, VDRL, TP, TTP e fibrinogênio. Em segunda instância podem ser solicitados outros exames laboratoriais para pesquisar outras causas. Além da TC e exames laboratoriais, devem ser solicitados o doppler duplex de artérias carótidas e artérias vertebrais, raio-x de tórax e ecocardiograma (quando suspeitado de fontes cardioemboligênicas).

 

Já o tratamento é feito de acordo com o tipo de AVC: no isquêmico é feito trombolítico nas primeiras 4 horas e meia do início dos sintomas. Após, é feita anticoagulação com heparina de baixo peso molecular associado ao anticoagulante oral, avaliando o RNI desse paciente. Além disso, deve-se lembrar de realizar controle da pressão arterial (não devendo reduzir mais de 15% da PA que ele apresentou na emergência), controle da temperatura corporal, controle da glicemia, medidas anti-edema cerebral e avaliar nutrição desse paciente, pois, se esse apresentar disfagia, poderá haver aspiração na alimentação oral, complicando o quadro clínico. Vale ressaltar que a endarterectomia é indicada apenas no paciente com déficit neurológico com obstrução arterial acima de 70%. Já quando há um AVC hemorrágico, esse é deve ser avaliado se a conduta será conservadora ou cirúrgica, sendo solicitado nesse o neurocirurgião para possível intervenção, evitando ou corrigindo o aumento da pressão intra-craniana e drenando a hemorragia presente.

 

Por fim, intervenção multidisciplinar precoce da fisioterapia e fonoaudilogia são de suma importância para obter melhores prognósticos nos pacientes com Acidente Vascular Encefálico.