Medicina interna

Sífilis congênita: entenda as principais propedêuticas e a terapêutica

Por: Pedro Rocha e Antônio H. Roberti.

 

A Sífilis Congênita é uma doença infecto-contagiosa causada pelo agente Treponema pallidum, transmitido da mãe pelo feto através da placenta, geralmente no 4º mês de gestação. No Brasil, essa doença vem se tornando cada vez mais comum, principalmente pela falta de informação da população sobre as Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST’s) e a negligência de alguns quanto aos métodos protetores.

 

Em novembro desse ano (2019), o The New England Journal of Medicine publicou um caso clínico que se tratava de um recém-nascido (RN) de 6 meses que foi encaminhado ao atendimento médico onde a mãe queixou-se de uma massa perirretal no bebê, que havia aparecido desde a 2° semana de vida, porém não houve a procura médica. Isso mostra para nós, agentes de promoção da saúde, que muitas das vezes vamos ter que ensinar a população a importância de um diagnóstico precoce na conduta do caso e o prognóstico final, servindo para outras doenças sistêmicas. Continuando o caso, ao exame físico foi notada a massa perirretal, fronte olímpica, porém sem erupções cutâneas, hepatoesplenomegalia, linfadenopatia ou limitação do movimento.

 

 

 

 

Por fim, foi solicitada uma radiografia lateral da tíbia direita que constou periostite. Dentre as hipóteses diagnósticas, o site propôs: hemangioma infantil, hímen imperfurado, sífilis congênita, pólipo perianal e rabdomiossarcoma perianal. E aí, você saberia? Sim, o diagnóstico era Sífilis Congênita, confirmado pela presença de espiroquetas na biópsia da lesão (campo escuro), com titulação de 1:152 do VRDL (método não-treponêmico) e com a positividade no FTA-Abs (método treponêmico). Diante disso, vamos entender um pouco sobre esse caso!

 

 

 

Existem dois tipos de sintomas dessa infecção congênita: os precoces e os tardios. Dentre os precoces, vamos ter: respiração ruidosa pelo nariz (rinite serohemorrágica), bolhas palmares e plantares, hepatoesplenomegalia (anemia hemolítica intensa que faz o fígado e baço produzirem hemácias), icterícia, crescimento intrauterino restrito, fissuras em boca e/ou ânus e osteocondrite (pseudoparalisia de Parrot). Já os tardios teremos: fronte olímpica, tíbia em sabre, nariz em sela, dentes de Hutchinson, surdez e cegueira.

 

Para realização do diagnóstico podem ser usados: método não-treponêmico, sendo usualmente utilizado o VDRL e avaliação da sua titulação; método treponêmico, sendo mais comum o FTA-Abs, mas também podendo ser feito ELISA ou TPHA. Em um recém-nascido que há o diagnóstico de sífilis congênita, são necessários a realização de alguns exames de rotina, como: VDRL, raio-x de ossos longos, punção lombar e hemograma.

 

 

 

Por fim, tratamento é baseado no resultado dos exames solicitados acima, sendo assim: caso LCR alterado, confirmando a neurossífilis, é utilizado Penicilina G Cristalina; se LCR normal e RN sintomático, é utilizado Penicilina G Procaína; se LCR normal, RN assintomático e VDRL negativo, mas a mãe é sifilítica sem tratamento adequado, é utilizado Penicilina G Benzatina, dosando o VDRL 2 vezes no período de 6 em 6 meses – quando 2 resultados negativos, paciente é considerado não-infectado. No bebê com sífilis congênita é feita avaliação mensal, principalmente auditiva, visual e neurológica, solicitando o FTA-Abs entre 12 à 18 meses, VDRL de 6 em 6 meses e, caso apresente LCR alterado no diagnóstico, acompanhar repetindo o exame de 6 em 6 meses até normalização.

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REFERÊNCIAS BIBLIO GRÁFICAS
BORGES, Isabela Colem Castelo; MACHADO, Carla Jorge. Centro de Referência e Treinamento DST/AIDS-SP. Coordenadoria de Controle de Doença, Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo. Guia de bolso para o manejo de sífilis em gestante e sífilis congênita. 2ª Edição. São Paulo: Secretaria de Estado da Saúde; 2016. Ciênc. saúde coletiva, Rio de Janeiro , v. 24, n. 11, p. 4367-4368, Nov. 2019 .