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Hematoma epidural e subdural: como diferenciar?

Por: Pedro Rocha e Antônio H. Roberti.

 

Em Janeiro de 2020 fizemos mais um caso clínico, dessa vez com o exame de imagem retirado do site “radiopaedia”, demonstrando um hematoma epidural. Após várias discussões entre os seguidores do Tudo de Medicina, resolvemos fazer um comentário para ajudá-los a entender as diferenças principais entre o hematoma epidural e o subdural, entre outros diagnósticos diferenciais.

O hematoma epidural, também conhecido como extradural, ocorre entre o crânio e a dura-máter devido o rompimento arterial, principalmente da artéria meníngea média, em situações como o traumatismo crânioencefálico (TCE). Entretanto, vale ressaltar que existem hematomas extradurais venosos intracranianos, porém com incidência menor.

As principais características de um hematoma epidural são: quadro agudo, apresenta formato ovalado (biconvexo) com imagem hiperdensa na tomografia computadorizada (TC) de crânio e o efeito de massa, podendo ocasionar desvio de linha média e herniações. Observe a imagem abaixo!

Ou seja, paciente que chega à você, histórico de provável TCE, com forte dor de cabeça contínua, podendo ou não apresentar no momento do atendimento rebaixamento de nível de consciência, vômitos e papiledema, devemos sempre pensar em hematoma epidural, solicitando uma TC de emergência para obtenção do diagnóstico.  O tratamento é realizado através da avaliação do exame de imagem. Em hematomas pequenos, sem efeito de massa e sem complicações associadas, o tratamento é conservador. Já em hematomas grandes, com efeito de massa, o tratamento é neurocirúrgico, através da drenagem de tal.

Já o hematoma subdural ocorre no espaço subdural, entre a dura-máter e a aracnoide, principalmente por rompimento venoso. Podem ser ocasionados por lesões não acidentais em lactentes, quedas em idosos, distúrbios hemorrágicos prévios e acidentes automobilísticos em adultos. Em alguns casos nos idosos, chega ser difícil o diagnóstico clínico, podendo ser confundido com demência.

As principais características de um hematoma subdural são: formato distribuído difusamente pelo hemisfério afetado, visto na TC de crânio; hiperdenso, porém podem haver áreas hipodensas (principalmente com a evolução da doença). Observe a imagem abaixo!

Na sintomatologia podem ser encontrados vômitos, papiledema, confusão mental e, principalmente, rebaixamento de nível de consciência. Quanto ao tempo da lesão, divide-se em agudo (<3 dias), subagudo (até 3 semanas) e crônico (>3 semanas). Por fim, o tratamento se assemelha ao do hematoma extradural, devendo avaliar tamanho do hematoma, se há desvio da linha média e as repercussões clínicas para diferenciar o tratamento conservador e o neurocirúrgico.

Um esquema simples que gostamos de utilizar para diferenciar na tomografia computadorizada de crânio o hematoma epidural com o subdural é fazer a metáfora: o 1° é um limão e o 2° é uma banana. Observe a imagem abaixo:

Dentre os diagnósticos diferenciais de ambas doenças, temos: meningiomas, hemorragias subaracnóideas, higroma e empiema. Porém, em outra oportunidade falaremos sobre cada um desses!

Por mais, é isso! Gostaram? Mande sua dúvida no nosso instagram: @tudodemedicina.