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Ectasia de artérias coronárias no paciente com doenças exantemáticas febris

Por: Pedro Rocha e Antônio H. Roberti.

 

 

Há pouco tempo fizemos um comentário sobre a relação entre aneurismas de artérias coronárias em pacientes com Doença de Kawasaki (DK), diante de uma publicação realizada pela Sociedade Brasileira de Cardiologia. Caso não tenha lido esse comentário, pesquise em nosso site: “Aneurismas nas coronárias: conheça a Doença de Kawasaki”. Porém, outro estudo mais recente, publicado em dezembro de 2019 pela mesma revista, despertou o nosso interesse em estar analisando e expondo essa informação com vocês, seguidor e leitor do Tudo de Medicina. Após o estudo acima, através da comparação entre alterações vasculares da DK e doenças exantemáticas febris (DEFs), surgiu uma dúvida: será que crianças com DEFs, sem DK, também podem ter alterações nas dimensões das artérias coronárias? Uma vez isso positivo, seria necessária maior cautela no acompanhamento desse paciente.

 

Fazendo um breve resumo, a Doença de Kawasaki é uma vasculite que acomete artérias de médio tamanho, assim como as artérias coronárias, cursando com febre prolongada não remitente, exantema de característica macular eritematoso, descamação da pele, linfadenopatia, edema das extremidades, conjuntivite não-exsudativa e inflamação das membranas mucosa. Recomendamos novamente a leitura do nosso comentário sobre ela. Já as Doenças Exantemáticas Febris incluem sarampo, rubéola e escarlatina, as quais diminuíram muito a incidência nos últimos 30 anos devido a promoção de campanhas de vacinação, tornando a DK a doença mais comum que cursa com febre persistente e exantema.

 

Diante disso, foi realizado um estudo transversal no México em 2018 que avaliava crianças com menos de 10 anos de idade diagnosticada com alguma das Doenças Exantemáticas Febris, sem critérios para DK. Tal avaliação foi realizada através da ecocardiografia, observando a dimensão das artérias coronárias e a presença de ectasia coronariana (EC), prontuários e questionário sociodemográfico. Para essa avaliação, foi adotado que a EC estaria presente na dilatação maior que 1,5 vez no diâmetro da artéria. Os resultados obtidos em tal estudo demonstraram que aproximadamente 27,2% das crianças pesquisadas possuíam dilatação em pelo menos um dos ramos das artérias coronárias. Em contrapartida, esse número era um pouco maior nas crianças com DK, com a frequência de 33,3%.

 

Por fim, concluímos que devemos analisar com cautela o risco das doenças cardiovasculares tanto na DK quanto na DEFs, não sendo exclusiva de apenas uma. Esses pacientes devem ser avaliados por um especialista, evitando complicações tardias que podem se originar das alterações vasculares. Em contrapartida, é necessária a elaboração de novos estudos que busquem estimar principalmente se todas crianças com DEFs ou DK devem passar pelo ecocardiograma e, caso apresente dilatação, se torna imperativa a administração de gama-globulina nesses.

 

REFERÊNCIA
S BI BLIOGRÁFICAS
1) REYNA, Jesus et al . Coronary Artery Dilation in Children with Febrile Exanthematous Illness without Criteria for Kawasaki Disease. Arq. Bras. Cardiol., São Paulo , v. 113, n. 6, p. 1114-1118, Dec. 2019.

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