Destaques

Carnaval e ist’s: um pesadelo após as festas

Por: Pedro Rocha e Antônio H. Roberti.

 

 

O carnaval passou e o Brasil entrou em comemoração com as folias e festas promovidas em diversas cidades do país. Durante essa festividade, os hormônios sexuais ficam “à flor da pele”, sendo momento para novos relacionamentos e amizades. Associado à isso, muitos dos adolescentes, jovens e adultos-jovens, com a transição psicológica nessa fase da vida em busca da maturidade e independência se tornam vulneráveis à estímulos externos, principalmente ao prazer sexual, abrindo as portas, junto à desinformação, para as infecções sexualmente transmissíveis (IST’s). Apesar de ser um tema tão falado atualmente – e que as vezes chega até ser entediante -, ainda há necessidade de ser enfatizado, devido a alta incidência. Dentre essas doenças, as mais comuns são: a síndrome da imunodeficiência adquirida (AIDS), sífilis, herpes genital, gonorreia, HPV, clamídia e tricomoníase. Todas essas são transmitidas pelo contato sexual sem uso de preservativo onde um dos parceiros está infectado, aumentando a chance de contaminação na presença de feridas, verrugas e/ou lesões.

 

A educação sexual dentro do estudo de ciências no ensino fundamental e médio é um grande pilar para a informação e o serviço de prevenção de saúde, fazendo com que os adolescentes tenham conhecimento sobre seu próprio corpo, identificar mudanças fisiológicas, saber como prevenir doenças e detectar anormalidades precocemente. Reafirmamos isso porque a faixa etária entre 11 aos 20 anos são as mais desinformadas sobre sexualidade e, é nesse momento, que ocorrem a maior parte da transmissão de doenças e de gestações indesejadas. Para mostrar à vocês a relevância desse assunto, um estudo realizado em 2014 no Rio Grande do Sul e publicado em 2017 demonstrou que cerca 37,1% das meninas e 30,5% dos meninos do total de pesquisados, na faixa etária de 10 à 19 anos, relataram fazer uso de anticoncepcionais como método preventivo de doenças sexualmente transmissíveis, mostrando a desinformação encontrada entre esses.

 

Qualquer alteração anormal encontrada pelo indivíduo em sua genitália, independente do sexo, deve-se procurar um atendimento médico especializado para cuidado e tratamento. As principais relatadas no pronto-socorro são: corrimento vaginal, corrimento uretral, úlcera genital, verruga genital e desconforto ou dor pélvica (na mulher). Uma IST muito comum no Brasil e nessa época do ano é a gonorreia, também conhecida como “esquentamento”, blenorragia e “pingadeira”, com manifestações como disúria e secreção no pênis ou vagina. Devido a semelhança dos sintomas, gonorreia e clamídia são tratadas concomitantemente, utilizando de fármacos como a azitromicina 1g por via oral em dose única associado à ciprofloxacina 500mg por via oral em dose única. Porém, existe IST que não possui cura, mas tratamento para evitar a progressão da doença, assim como a AIDS, com cerca de 40 milhões de pessoas no mundo infectadas pelo vírus do HIV.

 

Diante disso tudo, a mensagem que deixamos à vocês é: aproveitem o carnaval, mas com responsabilidade, principalmente à sua saúde. Além disso, não faça aquilo que você possa se arrepender futuramente, sempre tenha consciência e discernimento nas decisões. No entanto, em caso de relação sexual, use preservativo, pois você estará protegendo a si mesmo e a (o) sua (seu) parceira (o). Hoje em dia os postos de saúde disponibilizam gratuitamente as “camisinhas”, devido a ênfase na campanha contra as IST’s.

 

O carnaval é tempo de alegria, emoção e felicidade, não deixe que um segundo de descuido torne esse momento um pesadelo!