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Trauma torácico: entenda as condutas mais empregadas e o perfil epidemiológico

Por: Pedro Rocha e Antônio H. Robert.

 

 

O grande número de ocorrências solicitadas ao Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) vem crescendo exponencialmente, principalmente devido traumas por acidentes automobilísticos, agressões e quedas de alturas. Existem diversos tipos, sendo alguns deles: trauma cranioencefálico, trauma torácico, trauma abdominal, trauma pélvico, trauma raquimedular e traumas osteoarticulares. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a cada 1 minuto cerca de 9 pessoas morrem no mundo vítima de traumas, sendo o trauma torácico (TT) o 3º mais comum e letal. No Brasil ele é o 2º mais comum, sendo classificados de duas formas: aberto ou fechado.

 

As vítimas de traumas torácicos geralmente são tratadas com toracostomia com drenagem pleural fechada, principalmente em quadros graves, classificados como emergência cirúrgica. Em muitos desses, onde o paciente encontra-se instável hemodinamicamente, o diagnóstico é feito na sala de emergência através da avaliação médica, para que seja realizada uma terapêutica precoce. Porém, outros necessitam de exames complementares, principalmente quando já estão estáveis, para definir a gravidade e acometimento, sendo a Tomografia Computadorizada (TC) o exame mais sensível. Graças à otimização do atendimento pré-hospitalar nesses casos, principalmente na Golden Hour, a mortalidade vem diminuindo. Apesar disso, cerca de um terço morre antes do atendimento hospitalar e 20% após, principalmente por infecções. Uma grande ferramenta utilizada nesse atendimento inicial é o “ABCDE do trauma”, sendo reconhecida mundialmente por sua importância na padronização do atendimento emergencista.

 

Para entender mais sobre esses dados e suas evoluções, foi realizado um estudo observacional, descritivo e prospectivo em um hospital de referência no estado de Santa Catarina, no Brasil, entre 2017 à 2018, com o objetivo de avaliar os tipos de traumas torácicos mais comuns, os mecanismos, as condutas iniciais empregadas e as intervenções, o tempo de espera, desfecho e principalmente observando a morbimortalidade desses. Os resultados evidenciaram que os homens são as maiores vítimas de traumas torácicos, principalmente os adultos-jovens, sendo que grande parte do tempo de entrada no serviço hospitalar era acima de 1 hora do evento inicial. Além disso, cerca de 90% eram TT contusos, com maior incidência por acidentes automobilísticos e, quanto ao tipo, a fratura de costela era a mais prevalente, sendo o pneumotórax o 3º mais comum. Desses pacientes, grande parte recebeu alta hospitalar no atendimento, enquanto 63% dos que ficaram internados necessitaram de intervenção cirúrgica, principalmente toracostomia com drenagem pleural fechada. Por fim, o tempo médio de internação foi de 5,6 dias e apenas 5% dos que ficaram internados evoluíram para óbito no período estudado.

 

Diante disso, notamos a necessidade da intervenção precoce no paciente com algum tipo de trauma, sendo necessária a capacitação dos profissionais do atendimento pré-hospitalar e hospitalar para que esses tenham maior autonomia e eficácia nas condutas, melhorando o prognóstico da vítima. Ainda deve ser otimizado o tempo que demora para o paciente chegar ao hospital. Ademais, a formulação de protocolos do atendimento de urgência e emergência devem ser atualizados sempre e empregados nesses serviços, com objetivo de melhorar a qualidade do atendimento. Por fim, as campanhas de prevenção ainda são de suma importância, diminuindo o número de casos solicitados e, consequentemente, os gastos gerados.

 

REFERÊNCIAS
1) ZANETTE, Gulherme Zappelini; WALTRICK, Rafaela Silva; MONTE, Mônica Borges. Perfil epidemiológico do trauma torácico em um hospital referência da Foz do Rio Itajaí. Rev. Col. Bras. Cir., Rio de Janeiro , v. 46, n. 2, e2121, 2019.

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