Destaques

CORONAVÍRUS: o que preciso saber?

Por: Pedro Rocha e Antônio H. Roberti.

 

No final de dezembro do ano passado (2019), os noticiários mais relevantes do mundo alertaram sobre
um surto de uma síndrome respiratória aguda contagiosa que atingia a cidade de Wuhan, na China, destacando a
necessidade dos cuidados nos aeroportos e portos com o transporte de pessoas. No início, 27 pessoas estavam
com sintomas, sendo que 7 foram relatados como casos graves. Após análise da fisiopatogenia da doença e sua
epidemiologia, foi observado que havia uma relação entre os pacientes, com um vínculo epidemiológico através
do contato da venda de animais marinhos comercializados em mercados. Conforme recentes os estudos, essa
nova doença foi denominada como o “novo coronavírus (nCoV)”. Mas por que “novo”? Será que existia um
“coronavírus” antes desse? A resposta para essa pergunta é: SIM!

 

Os coronavírus fazem parte de uma família viral que foram listados desde 1960, infectando humanos e
animais através do contato respiratório, cursando com infecção respiratória leve à moderada, que se assemelha
à um resfriado comum no homem. Entretando, outros tipos da mesma família podem causar a Síndrome
Respiratória Aguda Grave (SARS), denominados SARS-CoV. Recomendo aqui que você leia nosso comentário “é
gripe ou resfriado” para entender sobre a SARS e o manejo. Em 2012, na Arábia Saudita e em outros países do
Oriente Médio, Europa e África surgiu outro tipo de coronavírus, denominado como Síndrome Respiratória do
Oriente Médio ou MERS-CoV. Por fim, em dezembro de 2019, surge mais um novo tipo, o nCoV ou novo
coronavírus.

 

O que atualmente se sabe é que o período de incubação dura em média 5 dias, mas pode se estender até
16 dias, podendo ser transmissível em média até 7 dias após início dos sintomas. Entretanto, essa última
afirmação ainda vem sendo analisada, pois tal pode transmitir mesmo com o portador assintomático,
principalmente através de secreções respiratórias emitidas pela respiração e tosse. Vendo sendo estudado a
transmissão da SARS-CoV através de animais, principalmente morcegos, sabendo que esses podem ser infectados
pela doença, mas ainda é incerta a afirmação.

 

 

Os sintomas de um paciente infectado pelo 2019-nCoV se assemelha inicialmente com um resfriado ou
uma gripe, assim como a presença de febre e tosse. Porém, podem estar presentes a dispneia e batimento de
asas nasais. Na maioria dos casos suspeitos da doença, o quadro clínico baseia-se em: febre associado à pelo
menos um sintoma respiratório (tosse e/ou batimento de asas nasais e/ou dificuldade de respirar) e histórico de
viagem para local endêmico da doença e/ou contato próximo de caso suspeito para o coronavírus (2019 – nCoV).

 

Diante disso, você está no seu plantão em uma cidade de grande porte e se depara com um caso de um
paciente com o quadro de síndrome respiratória aguda que viajou recentemente à China. O que fazer agora?
Primeira coisa é triar esse paciente, reconhecendo a suspeita de infecção pelo nCoV e a gravidade que se
apresenta – em alguns pacientes, pode cursar com pneumonia leve ou grave, síndrome da angústia respiratória
(SARA), choque séptico e SEPSE. O Ministério da Saúde pede para que esse paciente seja internado e notificado
ao Centro de Informações Estratégicas em Vigilância a Saúde (CIEVS-BH). Durante esse processo, você deve se
equipar de máscara N95, proteção ocular, luvas, gorro e capote descartável, colocar uma máscara cirúrgica no
paciente e conduzi-lo para uma sala isolada. Já no ambiente isolado, iniciar a monitorização, oxigênio suplementar
(principalmente no paciente que apresentar SRAG, dificuldade respiratória, hipoxemia e choque), acesso venoso
com infusão cautelosa de fluidos quando há SRAG sem evidência de choque e antimicrobianos empíricos para
terapêutica de patógenos associados a SRAG. Em situações desejáveis, principalmente em centros de referências
contra a doença, deve-se coletar duas amostras de secreção naso-orofaríngea (swab combinado) por um
profissional paramentado e capacitado, e enviado ao LACEN do estado.

Agora você sabe um pouco sobre o novo coronavírus (2019-nCoV). Gostou? Compartilhe com seus
amigos!