Cardiologia e endocrinologia

Rivaroxabana ou varfarina: entenda as vantagens da monoterapia com os novos doacs

Por: Pedro Rocha e Antônio Henrique Roberti dos Santo.

A trombose venosa profunda (TVP) é uma doença que acomete veias profundas ocasionando a obstrução parcial ou total dessas, resultando em sintomas locais e, se não tratada, em complicações sistêmicas, dentre elas a embolia pulmonar (EP), com uma mortalidade de 5% a 15%. Dos diversos vasos venosos, o local mais comum para a ocorrência dessa doença são os membros inferiores, atingindo cerca de 80% a 95% dos pacientes. As causas estão ligadas a três principais fatores, sendo eles: estase sanguínea, lesão endotelial e estados de hipercoagulabilidade. Diante disso, os fatores de risco para o aparecimento dessa doença são: uso de estrogênio, idade avançada, câncer, imobilização, procedimentos cirúrgicos, gravidez, distúrbios de coagulabilidade adquiridos ou hereditários, entre outros. Na sua fisiopatologia, após a aderência ou formação do trombo na parede do vaso, ocorre uma resposta inflamatória aguda a fim de diminuir o trombo por meio da recanalização. Em contrapartida, isso pode resultar em incompetência valvular, uma vez que gera danos às válvulas do vaso, originando aumento de pressão dentro desse e promovendo a síndrome pós-trombótica (SPT) – cerca de 20% a 50% dos pacientes com TVP idiopática são acometidos.

 

 

Atualmente, os tratamentos para TVP estão mais eficazes e diminuíram as complicações originadas, assim como a EP. Dentre a gama de terapêutica disponível, temos a heparina não-fracionada (HNF), heparina de baixo peso molecular (HBPM), antagonistas da vitamina K (AVK) e os anticoagulantes orais (DOACs). Esse último trouxe um grande avanço, uma vez que possui uma janela terapêutica maior e sem necessidade de monitorização laboratorial, além de ser utilizado via oral, possuindo uma segurança igual e até superior ao esquema de anticoagulação parenteral seguido do uso oral de varfarina. Porém, ainda são poucos os estudos que elucidam o processo de recanalização em pacientes com monoterapia de DOACs, principalmente a rivaroxabana. Além disso, existem os trombolíticos, porém são utilizados apenas em situações especiais pelo alto risco de complicações.

 

Diante do cenário acima, foi realizado um estudo analítico através da observação de laudos de eco-Doppler colorido de 77 pacientes com diagnóstico de TVP entre 2009 a 2016, no Paraná – BR. Para tal, foram criados dois grupos: grupo I, composto por 26 pacientes com a terapêutica de heparina parenteral seguido de varfarina; grupo II, composto por 51 pacientes com a terapêutica de rivaroxabana. Desse total, 54,55% eram do sexo masculino, com média de 59 anos de idade. Quando comparados os dois grupos em relação ao processo de recanalização parcial ou total de acordo com o tempo de tratamento, o grupo II obteve uma resposta mais rápida nos meses iniciais, sendo que, em 30 dias de tratamento para ambos, o grupo I apresentava 10% de recanalização e o grupo II 55,33%. Em 180 dias, o grupo I apresentava 78,88% e o grupo II 92,39%.

 

Por fim, apesar da limitação do estudo citado acima devido o “n” pequeno, foi possível observar um processo de recanalização mais rápido em pacientes que usaram monoterapia com rivaroxabana, em relação ao tratamento convencional com varfarina. Isso contrasta a necessidade de mais estudos com a finalidade de analisar as vantagens do uso dos DOACs e outras novas drogas no tratamento de tromboembolismo venoso, otimizando a terapêutica, resultado em bons prognósticos e reduzindo as complicações.

 

COMENTÁRIO DO ARTIGO: Piati PK, Peres AK, Andrade DO, Jorge MA, Toregeani JF. Análise do grau de recanalização da trombose venosa profunda: estudo comparativo de pacientes tratados com varfarina versus rivaroxabana. J Vasc Bras. 2019;18:e20180111. https://doi.org/10.1590/1677-5449.180111

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