Cardiologia e endocrinologia

Strain longitudinal global: preditor de baixa capacidade funcional na insuficiência cardíaca

Por: Pedro Rocha, Antônio Henrique Roberti dos Santos e Humberto Batista.

 

 

A insuficiência cardíaca (IC) é uma cardiopatia que compromete a função de bombeamento sanguíneo e, consequentemente, a distribuição de sangue aos tecidos do corpo humano, sendo dividida entre sistólica e diastólica. As causas não são específicas, mas é sabido que a principal no Brasil é a Doença Arterial Coronariana (DAC), que promove um estreitamento da luz vascular das coronárias. Essa é hoje a principal causa de internação hospitalar e, segundo a American Heart Association (AHA), a tendência é que os números aumentem 46% de 2012 à 2030.

 

Devido a grande prevalência da IC no cenário mundial, existem diversos estudos que buscam melhorar o prognóstico desses pacientes. Atualmente, o exame mais utilizado, considerado padrão-ouro, é o Teste de Exercício Cardiopulmonar (TECP), que verifica a capacidade funcional dos pacientes com IC. Esse baseia na exposição do indivíduo ao exercício de esforço sob monitoramento do consumo máximo de oxigênio pelo miocárdio (maxVO2), produção de dióxido de carbono (CO2), a inclinação da razão ventilação por minuto/produção de CO2 (VE/VCO2), a cinética de recuperação de VO2 após o esforço físico (T1/2VO2), estratificando e analisando o risco cardiovascular e predizendo a mortalidade e hospitalização por esses dados. Além disso, através da ecocardiografia é possível classificar o grau de dano ao miocárdio em casos de IC sistólica. Dentre as ferramentas desse exame, é de grande importância o strain, que analisa a deformação do desarranjo global do ventrículo esquerdo (VE). Mas será que o strain longitudinal global (SLG) consegue analisar e identificar quais pacientes com IC sistólica podem ser encaminhados ao transplante cardíaco segundo os critérios de TECP e definir um prognóstico?

 

Um estudo realizado em Recife – PE, em 2015 e 2016, do tipo transversal, prospectivo e observacional, seguindo as recomendações do STROBE, buscou avaliar a hipótese acima entre pacientes de ambos sexos com classe funcional II e III pela NYHA, sedentários, de idade entre 21 à 65 anos, com disfunção sistólica (FEVE<45%). Tal procedimento foi realizado através da exposição desses pacientes ao TECP e, consequentemente, à Ecocardiografia. Os resultados obtidos foram: quando comparou os valores de TECP com resultados da fração de ejeção do ventrículo esquerdo (FEVE), observou uma correlação positiva com o consumo máximo de oxigênio, porém negativa com o tempo de recuperação de 50% de VO2. Já o SLG obteve correlação positiva com todas variáveis do TECP analisadas, sendo preditor da capacidade funcional e do prognóstico, além de ser mais preciso que a FEVE para classificar pacientes com IC de acordo com sua capacidade funcional, segregando os prognósticos possíveis. Diante desse resultado, uma grande parte dos pacientes pesquisados foi encaminhado ao serviço de reabilitação cardiopulmonar. Além disso, foi observado que valores mais baixos de SLG estavam ligados a presença de fibrose cardíaca, que resulta em déficits do relaxamento e da contratilidade.

 

Concluindo, em pacientes com Insuficiência Cardíaca (IC), foi percebida maior precisão do SLG do que a FEVE na estratificação desses, com ótima relação com parâmetros do TECP, sendo capaz de classificar pacientes de baixa capacidade funcional e definir a presença de um prognóstico ruim, sendo de suma importância na avaliação do indivíduo com IC terminal.