Cardiologia e endocrinologia

Epidemiologia das DCV’s em países de língua portuguesa

Por: Pedro Rocha e Antônio H. Roberti.

 

 

Falar sobre doenças cardiovasculares se tornou algo comum nos últimos 20 anos, principalmente pela mudança do estilo de vida e exposição a fatores externos que podem resultar em tal. Atualmente ela é a principal causa de morte no mundo todo, principalmente nos países desenvolvidos. Dentre esse grande grupo, se encontram doenças bastante comuns no nosso dia-a-dia, sendo elas:

 

Hipertensão Arterial Sistêmica, Infarto Agudo do Miocárdio, Arritmias, Anginas, Endocardites, entre outras. Você, acadêmico ou profissional da saúde, com certeza já viu um paciente com uma dessas doenças acima, não é? Infelizmente, mesmo com as inúmeras campanhas de prevenção, as DCV’s continuam aumentando a frequência, principalmente pelos hábitos de vida das pessoas, onde possuem uma alimentação de baixo valor nutricional, sedentarismo, tabagismo e etilismo.

 

Para entender a crescente dos casos de pacientes com doenças cardiovasculares, foi realizado um estudo multinacional em 2016, publicado pela Sociedade Brasileira de Cardiologia em 2018, que buscou avaliar essa epidemiologia em países que compartilham da língua portuguesa como idioma oficial entre 1990 à 2016, utilizando o Global Burden of Disease Study como parâmetro de avaliação da morbimortalidade. Dentre esses países, continham: Brasil, Angola, Portugal, Cabo-Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe.

 

O resultado observado no estudo citado acima mostrou que em países que antes as DCV’s não eram a principal causa de morte em 1990, agora em 2016 ela se tornou, assim como Cabo-Verde, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. Dentre as doenças cardiovasculares, as cardiopatias isquêmicas são as mais comuns, mostrando a necessidade de ênfase na prevenção do Infarto Agudo do Miocárdio. Além disso, Portugal foi o único país que as taxas de DCV’s diminuíram em todas as faixas etárias, sendo que, no Brasil se manteve estagnado na mesma proporção. Por fim, o sexo masculino predomina como maioria dos casos nesse grupo, principalmente pela negligência de sintomas e pelo modelo hegemônico de masculinidade.

 

Vale ressaltar mediante aos resultados apresentado pelo estudo que devem ser avaliadas as condições socioeconômicas de cada país, uma vez que interferem tanto na prevenção quanto na promoção da saúde. Isso foi observado no estudo acima, uma vez que países mais pobres possuem maiores taxas de morbimortalidade quando comparadas a países em desenvolvimento.

 

Ademais, é de suma importância que haja empenho dos órgãos federais e estaduais de saúde no serviço de prevenção da saúde, uma vez que, quando otimizado esse setor, diminui os gastos subsequentes no serviço de promoção, a qual vive em extremo déficit de recursos financeiros. Campanhas como conscientização de alimentação saudável, cessar tabagismo e etilismo crônico, incentivo à práticas de exercícios físicos e busca precoce do serviço médico quando necessário ainda continuam sendo abordagens necessárias para a população brasileira, evitando a exposição à doenças crônicas, principalmente as cardiovasculares.

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